Canal do Panamá. Mesmo sem ondas é possível surfar horas ao lado de cargueiros

Votos de utilizador:  / 0
FracoBom 

suO surfista panamiano Gary Saavedra quer bater dois recordes mundiais, num local icónico, no projecto Red Bull Canal Cross

Sol, belas praias, chicas guapas, Kelly Slater e ondas espectaculares. Esqueça tudo o que costuma ver no circuito mundial de surf. Hoje, no Canal do Panamá, longe de todos os estereótipos da modalidade, Edgar "Gary" Saavedra vai tentar manter-se em cima da prancha durante quatro horas seguidas e bater dois recordes mundiais: surfar a onda mais longa e mais tempo numa onda não estática (o recorde é de 45 minutos). Por esta altura já deve estar a pensar que não há ondas no Canal do Panamá; é verdade. Por isso, um barco de wakeboard (um Mastercraft X-25) vai ser essencial para o panamiano, 13 vezes campeão no seu país, que espera aguentar a surfada 240 minutos consecutivos - o tempo que o leitor demoraria, sentado no conforto do sofá, a ver o clássico "E Tudo o Vento Levou". É que o vento vai ser uma das dificuldades a enfrentar, além do cansaço e do tráfego de navios no canal, tipo Lisboa em hora de ponta. Apenas um ponto a favor do panamiano: não haverá crowd a disputar as ondas com ele.

Antes de se lançar à água, Gary ainda teve tempo de responder ao i, por email. "O que mais me motiva é que se realiza no Canal do Panamá, um ícone para nós. Como panamiano sinto-me superfeliz e emocionado por ter a honra de fazer algo na minha terra e nas águas do canal, o que não é fácil, pela importância mundial daquele local", começou por explicar o surfista de 34 anos. A preparação já dura há um ano, embora os últimos seis meses tenham sido "muito intensos, tanto dentro como fora de água". Mais uma vez, não vale a pena pensar em tubos, aéreos ou júris a pontuar ondas. Este recorde é 99% de transpiração e 1% de inspiração: "Ok, a ideia é estar o mais tranquilo possível até bater o primeiro recorde. Mas vou ter de fazer manobras pois a onda gerada pelo barco exige que me adiante constantemente. Ou seja, se ficar estático a onda adianta-se e eu caio."

Um passeio complicado Não foi fácil conseguir autorização da Autoridade do Canal do Panamá para Gary surfar durante algumas horas. Pelo canal de 77 quilómetros que liga o oceano Pacífico ao Atlântico passam em média de 40 navios por dia. "Penso que o mais difícil vão ser as ondas criadas pelos barcos, especialmente os Panamax - são os maiores e geram uma onda grande, que vai ser complicado enfrentar. O vento também tem um papel importante, pois quando entrar na parte do lago é como se estivesse em mar aberto e picado, sem falar do desgaste físico", disse.

Caso consiga o objectivo que se propôs, Saavedra deve percorrer cerca de 100 quilómetros - inicia o percurso junto às comportas de Pedro Miguel, passa pelo lago (artificial) Gatún até Colón e regressa ao ponto de partida. Vários representantes do "Guinness World Records" deslocaram-se ao país a fim de homologarem as marcas do surfista. O dia 19 de Março já era especial para Gary - a sua filha nasceu exactamente há um ano - e pode vir a sê-lo duplamente se bater os dois recordes mundiais. "Claro que assim serão duas celebrações no mesmo dia, porque vou cumprir o objectivo, não vou deixá-lo escapar, muito menos aqui, no meu país! Este será o presente para a minha filha. Agora não compreende, mas quando crescer vai entender", assegura o surfista.

Viciado na liga dos campeões Não sabemos se Gary conhece Saca (surfista português no World Tour), mas o panamiano é fanático de futebol e conhece bem os jogadores do nosso país. Dividia o tempo entre a água e os pontapés na bola e agora é "viciado nos jogos" pela televisão, especialmente "os da Champions". "Posso dizer-te alguns nomes como Pepe, Simão, Nuno Gomes, Nani, Ricardo Carvalho, Cristiano Ronaldo, mas o meu favorito é o Figo", confessou.

fonte i
por Pedro Miguel Neves, Publicado em 19 de Março de 2011