Barco turístico volta a abandonar mergulhador no mar
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Um norte-americano ficou à deriva, em fato de mergulho, depois de ter sido esquecido pela tripulação de um barco turístico ao largo da Austrália. Ao contrário do que aconteceu com um casal nos anos 90, Ian Cole sobreviveu ao susto.O caso aconteceu no sábado, na Grande Barreira de Coral australiana. Ian, um turista norte-americano de 28 anos, explorava o cenário subaquático quando, subindo à superfície, percebeu que o barco que trouxera um grupo de mergulhadores até àqueles recifes tinha partido. Ian fora esquecido.
«Entrei em pânico. O coração disparou. Não sabia o que é que iria acontecer», contou ao Sydney Morning Herald. Ian diz ter feito «um esforço enorme» para permanecer calmo. Não terá sido tarefa fácil. À memória veio inevitavelmente o caso de Tom e Eileen Lonergan, também norte-americanos, que desapareceram naqueles mares em 1998 quando um barco de recreio deixou o casal para trás. As autoridades australianas acreditam que os Lonergan, recém-casados, foram devorados por tubarões. A tragédia inspirou o filme de terror Águas Profundas.
Desde a tragédia, os operadores turísticos australianos formularam regras de segurança muito rígidas para evitar erros de contagem e esquecimentos como o que terá estado na origem da morte trágica dos Lonergan. Tal não foi suficiente para evitar o desaparecimento, durante 19 horas, em 2008, de um casal anglo-americano que acabou por ser salvo por helicóptero.
Nem evitou um susto para Ian. Passados 15 minutos da partida do barco, o jovem norte-americano avistou outra embarcação e nadou outros 15 minutos até conseguir pedir auxílio. «Quando cheguei lá eles olharam para baixo e perguntaram 'Que raio estás a fazer sozinho?'», conta o turista.
Segundo o Sydney Morning Herald, a tripulação do barco que levou Ian até aos recifes de coral foi despedida. O norte-americano recebeu um voucher de 200 dólares para utilizar nos restaurantes da região e foi reembolsado no valor da excursão.
Mas a história pode não ter terminado. Um dirigente da associação regional de operadores turísticos, Col McKenzie, acusa Ian de «fazer uma tempestade num copo de água» e de «querer aparecer».
«É tudo uma grande m***. Ele nunca esteve em perigo. Foi como se ele tivesse sido esquecido na praia», declarou McKenzie a um jornal de Cairns. A disputa verbal poderá seguir agora para tribunal.
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