Nova taxa da SATA deixa mergulho em risco nos Açores

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A SATA, única companhia a fazer o transporte aéreo entre as ilhas açorianas, está a «prejudicar a economia local», acusam vários operadores turísticos do arquipélago que temem perder os turistas que ali vão fazer mergulho. Em causa, está a nova taxa aplicada pela transportadora regional sobre o equipamento desportivo, anunciada aos clientes há duas semanas. No caso do material de mergulho, os passageiros com bagagem até 20 quilos passam a pagar, para além do preço da viagem, uma taxa única de 35 euros, nos voos domésticos, e de 85, caso viajem da Europa ou de África. Já os passageiros que venham dos EUA ou do Canadá pagam 150 euros. «Para ganhar mais cem euros por pessoa, vamos perder milhares», critica Paulo Reis, proprietário de um centro de mergulho na ilha de Sta. Maria, lembrando que este é um sector fundamental para «a economia regional»: «Cada cliente que se desloca à ilha de Santa Maria gasta 1.500 a 2.000 euros por semana, entre hotéis, rent-a-car, restaurante, lembranças», contabiliza.

Os alertas sobre os riscos da medida, que atinge o mergulho e outros desportos radicais, vêm de empresários de todas as ilhas. «Fica em clara desvantagem em relação à concorrência de outros destinos internacionais, para onde os turistas conseguem preços mais baratos, como o Mar Vermelho, Golfo do México, América do Sul, Caraíbas ou Gálapagos», nota Luís Feiteirona, dono de uma empresa de animação marítima na Terceira – ilha que, a par de São Miguel, é das mais procuradas pelos amantes de mergulho e da observação de baleias ou do scuba diving de todo o mundo.

Para este empresário, «é incrível que o Governo Regional gaste milhões de euros para promover os Açores, tanto no continente como no estrangeiro; e depois a SATA barre os turistas». Já Rui Melo, proprietário de um centro de mergulho em São Miguel, avisa que, «se isto avançar, vai ser catastrófico».

«Para os alemães, fica mais barato ir mergulhar na Austrália do que nos Açores», acrescenta Robert Minderlein, dono da Wahoo Diving, operadora sedeada em Santa Maria, onde vive e trabalha há 15 anos.

As queixas de clientes já começaram. «O problema é que SATA monopoliza totalmente o transporte entre as ilhas», desabafa ao SOL Jörn Stahn, que todos os anos viaja de Frankfurt com um grupo de amigos para os Açores para fazer mergulho e visitar as outras ilhas.

«A nossa experiência com a Sata é péssima, mas somos obrigados a suportar o que 'nos servem'», revolta-se o turista alemão, lamentando as alterações no plano de voo a que o grupo foi sujeito: «Em Abril, recebemos um e-mail que dizia que teríamos de pagar uma sobretaxa sobre o combustível (do avião)». Em Maio, chegou nova mensagem: teriam de pagar mais cem euros por cada viagem entre ilhas. «Significa mais 700 euros por pessoa, o que ultrapassa o nosso orçamento para as férias».

José Gamboa, porta-voz da companhia, justifica esta revisão do preçário pelos «custos acrescidos relativos à preparação, transporte, carregamento e descarregamento, além dos seguros e indemnizações por extravios e danos» deste tipo de bagagem especial.

Fonte Sol

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