TÉCNICAS - Caça na água turva

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Tendo em conta o tipo de águas a que estamos habituados, a caça com água turva é a mais praticada no nosso País, deste modo esta técnica deve ser levada em linha de conta, e deve estar presente na mente de todos os caçadores submarinos portugueses.

Na nossa costa continental dificilmente encontramos visibilidades superiores a 10-15 metros, sendo assim para se caçar temos que aproveitar os dias em que a visibilidade não ultrapassa os 3-4 metros.

 

Existem zonas da nossa costa, que por vezes, são banhadas por vários tipos de água suja. Esta água não acontece devido à poluição, mas sim, ao fundo remexido e em suspensão provocado pela força do mar, ou, correntes e ventos que trazem excesso de plâncton.

Esta última situação pode ser mais frequente na Primavera/Verão com as "nortadas" (N.W.). São águas verdes escuras onde normalmente não se vê peixe quase nenhum. E não se vê, ou porque o peixe procura águas mais limpas, ou porque o peixe anda além do limite da nossa pouca visibilidade. O peixe sente confiança, detecta-nos e não se aproxima. Nestes casos, e em situações normais, o peixe mantêm-se mais em água livre, e raramente entoca.

A nossa atenção tem de ser redobrada e apuramos a nossa audição, pois é outra maneira de detectarmos o peixe que possa andar em água livre.

É evidente, que é um tipo de caça menos bonito e muito stressante, pois, qualquer coisa em suspensão, um vulto parado ou em movimento, momentaneamente, pode parecer o que não é.

Em situações de água suja o tipo de caça que se impõe é a espera ou ao buraco, obviamente ás espécies mais sedentárias, como os Safios e Moreias, Abróteas, Rascassos e Meros.

Neste caso, a bóia é uma peça do equipamento bastante importante pois, uma vez ancorada ao pé de um buraco ou na zona que queremos realizar o agachon é de extrema utilidade para não perdermos o local.

Em mais de 90% das vezes, ás águas sujas devemos adicionar, quase, inevitavelmente, os factores vento e/ou corrente.

Sem bóia (a sua utilização é obrigatória por lei) só não perdemos o sítio se tivermos uma memória fotográfica instantânea para tirar duas marcas de terra assim que chegarmos à superfície.

Caso contrário arriscamos a não encontrar o buraco que estava apenas a 10 ou 15 metros e que nos custou tanto a localizar.

O factor profundidade, também é importante. Quanto mais perto da costa, mais limpa está a água e maiores são as possibilidades de se ver mais peixe, principalmente no rebuliço da espuma. Falo, é claro, nas situações de água suja, devido ao vento e correntes.

No caso em que a água está suja devido à força do mar (ondulação), normalmente a visibilidade é melhor mais por fora, em baixas ou pedras mais distantes da costa.

Em relação à caça profunda, é mais fácil caçar a 20 ou 25 metros, com águas limpas, do que a 10 ou 15 metros com 2 metros de visibilidade. É por isso que os nossos vizinhos no mediterrâneo são grandes profundistas, por normalmente terem mais de 20 metros de visibilidade, o que não quer dizer que se sintam muito à vontade, em condições que muitas vezes aqui apanhamos.

Quanto ao material adequado a este tipo de caça, devemos usar armas de 75 ou 90 cm no máximo, e às vezes até a ajuda de tridentes e pentadentes, pois aumenta a precisão dos tiros rápidos, quase instintivos na maioria dos casos.

Também há que ter muita atenção, não só, no que andamos à procura, como também, no que não queremos encontrar e que se pode tornar perigoso. É o caso de redes ou fios de pesca, perdidos ou não, no fundo.

É também em situações de água suja (e não só) que ao deparar com um saco de plástico ou outro qualquer lixo, Dá raiva ao pensar que as pessoas encararam o mar como a lixeira da humanidade. A maior parte das vezes, os piores sítios são por baixo dos principais pesqueiros de pesca à cana.

Texto e fotos submerso.net