TÉCNICAS - Caça da praia
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- Categoria: Técnicas Pesca
Este tipo de caçadas apesar de parecerem menos ambiciosas, não deixam por vezes de ser memoráveis.
Uma expedição destas começa de forma bem simples, com um mapa que nos informe e localize as praias: quanto mais afastadas e desertas melhor. Em qualquer mapa é possível ver se há peões, pontas, se a costa é rochosa e obter outras informações. Depois uma jornada no Portugal-fora-de-estrada, vamos no local procurar o que nos interessa, estudando a costa, pontos de interesse e acessos.
Se houver falésia ou dunas podemos identificar a existência de manchas de pedra ou algas, sendo estas arrojadas à praia. Se não houver indícios ou meios de os verificar, o simples exame da zona de rebentação nos dará informações: Conchas de mexilhão são boas; amêijoas; berbigão; cadelinhas e outros bivalves do tipo; é mau. Ouriços e laminárias, são indício seguro de pedra. As vinagreiras com reservas, sozinhas, nada, juntas a outros, é bom indicio. Molhos de possidónios e zoostera, algas curtas e verdes, são maus indícios.
Quero com isto dizer, mau indício de inexistência de pedra ou está a ser muito rasa e dispersa, mas, há que contar com raias, cações e até corvinas, nas épocas próprias de início e fim de Verão, respectivamente; chocos; linguados e outros peixes chatos; polvos; os próprios bivalves que tanto atraem estes; santolas na areia e mesmo robalos.
Caso haja, na própria praia, aflorações de rochas, importantes com falhas e outros acidentes, vamos encontrá-las na água como na praia e aí achar os peixes de areia e de rocha: sargos, robalos e todo o nosso plantel habitual. Se as aflorações forem como folhas na vertical, de pedra escura e dura, partindo-se em finas placas, o fundo será mais fraco. Se forem como que grandes mesas de pedra mais mole e amarelada, haverá fortes probabilidades de as irmos encontrar sob a água, aquilo a que chamamos lajões, que são estas rochas, semeadas na areia de forma solta ou em formações, mas a água cavou-lhe por baixo, enormes fendas e salões que são o paraíso para os peixes como sargos, robalos, safios, douradas, etc. Identificado o local e os pontos de interesse, convém estudar os pontos de entrada e saída, depois com mais ou menos escaladas e penar por areias, preparem-se para a caçada!
Caçar a partir de terra e com conhecimento de uma corrente, apenas existem dois procedimentos correctos, entrar num local e sair em outro mais à frente, caçando sempre a favor da deslocação das águas. Ou então, entrar num local caçar ao sabor da corrente e esperar que esta altere o seu sentido com o virar da maré.
Na costa da Arrábida e mais concretamente na Praia de Alpertuche, temos um local tipo onde se impõe o conhecimento das horas das marés.
Se por acaso um dia for confrontado com uma zona de corrente e queira mesmo ir caçar a um determinado local, é preferível ir contra a corrente no início do mergulho, quando o caçador ainda tem força e energia e voltar a favor desta no final da jornada de caça.
Nunca faça o contrário. Com o peixe na bóia o regresso pode tomar-se num martírio.
Se quiser escolher uma alternativa intermédia em termos de custo e volume, poderá recorrer ao uso de uma prancha.
As pranchas de caça submarina apresentam diversas vantagens para quem caça em zonas de corrente, como por exemplo:
1 - Menor volume do caçador submerso, uma vez que nas viagens pode subir com mais de metade do corpo para cima da prancha;
2 - Grande hidrodinamismo da base de flutuação;
3 - Possibilidade de transportar todo o peixe e mesmo os corpulentos polvos, além do equipamento de apoio, como lanterna, mais alguma arma, bicheiro, entre outros.
Outro ponto importante para quem caça a partir de uma praia e vai encontrar alguma corrente na sua saída de mar, é o modo como deve colocar o peixe no enfião.
Todos os peixes deverão ser enfiados com a vareta metálica pela boca e não pelo opérculo como é tradicional fazer.
É um pouco mais demorada esta tarefa, mas o hidrodinamismo do peixe (de cabeça para a corrente) é um factor importante a seu favor.
A resistência é muito menor, e se possuir vários exemplares na sua bóia, vai notar certamente uma grande diferença na sua progressão.
Quando pensar em caçar para uma zona, onde sabe antecipadamente, que vai encontrar uma corrente, não se esqueça de consultar uma tabela de marés.
É uma técnica de caça que deve ser entendida como de busca, pois sendo a deslocação feita à barbatana, temos por um lado menos terreno para bater mas por outro lado, todo o interesse em fazê-lo metódica e exaustivamente, espreitando todos os buraquinhos, fazendo agachons em todo o relevo, não deixando de explorar todas as hipóteses; como a caça é uma actividade de insistência, em que esta torna a mestra, teremos os frutos de acordo com toda a preparação e empenho.
Depois de identificadas as dificuldades, como corrente e rebentação que marcarão o sentido de deslocação e regresso, caçaremos em ziguezague, cruzando todo o campo de caça. O equipamento não deve ser descurado, pois ele dependerá em boa parte o sucesso. Temos de o limitar por razões de esforço mas deveremos prever algumas situações: a bóia é indispensável para sinalização e agora como ponto de apoio e transporte de material e presas. Um saco de rede para marisco, lavagantes, navalheiras, santolas e bivalves são de esperar. Duas armas são de aconselhar, uma júnior para buracos e alga e conforme a previsão, uma luxo para água livre mas que pode ainda servir para grandes lajões, ou uma standard menos especializada mas que dá para tudo. As duas armas não só permitem uma caça especializada como ainda dobrar um grande safio ou se substituem por alguma avaria ou perda de arpão. É preferível a combinação luxo-júnior, mas se virmos que o fundo é predominantemente constituído por pedra partida e a caça no buraco de prever, a standard será de preferir à de luxo. Na bóia colocar ainda um enfião para comodidade óbvia, e por via das dúvidas uma lanterna.
O restante equipamento será o normal, mas mesmo que a água esteja fria não é aconselhável nesta caça um fato muito espesso ou a utilização de colete, que obriga a mais lastro, o que se torna pesado e cansativo, e visto termos de nadar bastante devemos prevenir-nos contra o calor e o desconforto. Nestas jornadas a presença de um companheiro é particularmente interessante e podem os dois usar uma só bóia, transportando tudo e puxada à vez.
Convém neste caso combinar bem a estratégia e o caminho a seguir, sem esquecer que quem leva a bóia marca o ritmo e o caminho.
Texto e fotos submerso.net




