TÉCNICAS - Caça à Indio

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Uma técnica muito utilizada, é a chamada à índio, pressupondo uma analogia com as técnicas terrestres de caça de aproximação muito praticadas por caçadores usando, como o caçador submarino, as suas capacidades e armas menos sofisticadas.

Esta técnica acaba por ser muitíssimo complexa e exigir do caçador, bons conhecimentos dos locais, fundo em geral e hábitos e comportamentos dos peixes, assim como bons dotes físicos e sobretudo apneia: trata-se de evoluir pelo fundo, colado a ele, como que rastejando, sem alertar o peixe. Esta técnica é uma das minhas favoritas, quase que diria, que é como caçar de salto, executa-se com quase todo o tipo de condições e profundidade, desde que, conhecedores do fundo e hábitos do peixe, possamos prever onde este está...

 

O tipo de fundo ideal, independentemente da profundidade é o que seja acidentado, com vales, pedras amontoadas e todo o tipo de obstáculos que nos possam ajudar a progredir escondendo-nos ou pelo menos disfarçando-nos. O caçador mergulha antes do local onde adivinhe ou tenha visto o peixe, que se abrigue, repouse ou alimente, e desliza rente ao fundo nessa direcção, de forma lenta e silenciosa para não alertar as suas presas, disfarçando com a lentidão e ritmo as suas reais intenções. É costume nem sequer nadar, deixando as barbatanas imóveis e estendidas para trás, impulsionamo-nos com a mão livre, mantendo o braço armado estendido mas rente ao fundo e disfarçando o tal efeito de espadarte de que já falei. Esta progressão faz-se sempre colado ao fundo, escolhendo os obstáculos naturais, sejam estes, depressões, vales, lombas, pedras ou algas, que nos permitam esconder. Fazem-se pequenas paragens e curtas esperas, passa-se por debaixo de pedras furadas, sempre atento ao avisar de um peixe que surpreendemos em descanso, outro atraído pelo movimento que sentiu, outros ainda, distraídos a mariscar. Como se entende adivinham-se apneias muito longas.

Em zonas conhecidas é fácil referenciarmos o peixe, em zonas novas teremos de ter a sensibilidade para adivinhar, através do conhecimento de fundo e hábitos do peixe, a sua presença e as querenças. Na maré-cheia e onde haja rebentação espraiada em baías, escolhos e outros acidentes sobretudo com pedra e comida, é uma técnica excelente para surpreender os mariscadores, douradas e sargos, como os caçadores robalos e anchovas ou as salemas e tainhas pastando o limo. Na maré vazia iremos para fora, voltear o fundo, contornado peões e vales, surpreendendo e atraindo bodiões, robalos, sargos e badejos. Podemos facilmente combinar esta técnica com a caça ao buraco ou à espera, sendo uma excelente forma de conhecer e investigar o fundo, ajudando a localizar os bons postos ou buracos.

Se a água estiver suja, é mesmo a técnica mais aconselhável, e na minha opinião a mais rendosa, entremeando-a com esperas. O peixe pode ser detectado à vista e aproximado pelo fundo, de forma muito subtil se este for propício, com mais certeza do que da superfície e em queda vertical. Também podemos aproximarmo-nos desta forma, de um local para o emboscar na sua passagem, o que, para os pargos, por exemplo, é muito eficaz. Ainda desde modo podemos fazer da sua toca os bodiões e outros peixes territoriais como meros e garoupas, ou atrair a atenção dos caçadores robalos, anchovas, corvinas...

Nesta técnica o material não precisa de grande especialização, todavia aconselho um lastro que nos mantenha no fundo, luvas, uma máscara dessas tipo aquário de incomparável panorâmica e uma arma standard ou luxo consoante a limpidez da água seja maior ou menor.

Texto e fotos submerso.net